domingo, 18 de abril de 2010

Bioética I

Bem, para treinar as minhas possíveis respostas no exame de bioética decidi treinar aqui. Aviso que eu tenho opiniões muito controversas para muitos e espero que não me julguem mal depois de tudo o que vou dizer.

Hoje tava a ler um texto, um ganda texto, ainda não o acabei, e o problema é que ainda não li mais nada e tenho dezenas de textos destes para ler, e só uma semana para o fazer, mas não há-de ser nada. Bem, então nesse texto tinha uma frase com a qual me identifiquei, ou melhor, a minha filosofia de pensar se identificou:
"À medida que a ciência transfere para as mãos do Homem poderes antes reservados à fatalidade da natureza, no que respeita ao nascer, viver e morrer, pergunta-se até que ponto estamos autorizados a exercer esses poderes e em que medida aquilo que é tecnicamente possível será eticamente aceitável."

Ora bem, eu sou daquelas que se durante uma gravidez fosse detectada alguma anomalia no feto, era apologista de um aborto ou do nascimento desse ser mas que depois seria rejeitado. Eu sei que isto parece muito cruel, desumano, ok, mas pensem, por exemplo, uma pessoa com alguma deficiência, o que vai ser da vida dessa pessoa? vai ser humilhada durante a sua vida devido à sua incapacidade física ou mental, nunca vai conseguir saber o que é realmente ter uma vida normal, os pais têm que a pôr em educação especial, gastar pipas de massa em equipamentos, utensílios, em tudo! Para quê? Para uma pessoa sobreviver, neste mundo em que todos a vão rejeitar por crueldade, em que não consegue viver sem o auxílio de alguém, às vezes os próprios pais ficam sem vida própria só para os acompanhar 24h! quando podiam fazer outro filho e há milhares de pessoas saudáveis a morrer por aí?
Há uma coisa que aprendi em biologia que se chama "selecção natural" que muito sinceramente penso que já não pode existir... porque seja que problema surgir, nós, seres humanos, estámos sempre à procura da cura!
Porque não, se algo não correu como esperado, deixar era pessoa ir em paz e "fazer outra"? se quando surgiu o vírus da gripe A, essa pessoa tivesse falecido, não passava às outras e terminava aí a doença, apesar que podia haver na mesma contágio, mas seria uma hipótese. Quando arranjamos a cura para uma doença, aparece outra mais resistente e é um vício!
Este tipo de pensamento também está acompanhado por outro que é a "má" invenção dos métodos contraceptivos. Nós fomos feitos para nos multiplicarmos, se algum dos nossos descendentes era menos normal, a natureza tomava a iniciativa de o eliminar. Hoje a maior parte das pessoas não tem filhos e/ou querem os filhos perfeitos... não pode ser... O ideal seria ter paí uns 20 filhos que desses só paí uns 5 é que sobreveriam, é certo, mas são aqueles que a natureza escolheu e que se mostraram aptos a ultrapassar as dificuldades ao longo da vida.
Isto depois vem atrás doutra corrente filosófica que eu tenho que é, talvez esses 20 filhos fossem de 20 homens diferentes, já imaginaram a diversidade genética que seria? brutal! até porque hoje em dia vê-se que uma pessoa (quase) nunca está satisfeita com uma pessoa só... daí haver traições e divórcios, porque secalhar nós não fomos feitos para ser só de uma pessoa durante a nossa vida... daí eu não acreditar muito no casamento para o resto da vida porque acredito que seja difícil estar junto de uma pessoa, sei lá, uns 50 anos?! bem, esta conversa dava outro testamento...
Realmente acho que o Homem já evoluiu demais, cada vez estámos a aumentar mais a nossa esperança de vida mas com menos qualidade... que nos vale de chegar aos 100 anos se temos uma carrada de doenças atrás, com milhentos medicamentos para tomar? Imaginem que duravamos até aos 75 anos mas com toda a qualidade, com nenhuma ou poucas doenças... não era o ideal? o dinheiro que se poupava em inventigar/formular novos medicamentos para curar tudo e mais alguma coisa? as consultas que se poupavam com pessoas que simplesmente andam a arrastar a sua vida... que fazem as pessoas acamadas que andam por aí? vivem numa cama 24h p/dia... isso é que é viver?
O problema é que somos muito afeiçoados à vida, aos outros e custa-nos vê-los partir... mas a única certeza que temos na vida é que um dia vamos morrer! o problema é que temos um medo da morte terrível, mas quando tem que ser, tem que ser, e não existe cura prá morte. quando chega o momento temos que aceitar e pronto... custa mas tem que ser.
Apesar de pensar tudo isto, sou daquelas que tem um medo à morte exacerbado, uma afeição pelos outros terrível e por consequência sou uma chorona descomunal, mas esta é a minha forma de pensar.
Sou daquelas também que se um dia fosse parar a uma cadeira de rodas para o resto da vida, não queria viver porque para mim viver é viver com tudo, é saltar, pular, correr... por isso admiro muito todas as pessoas com incapacidades porque se fosse eu não conseguia mesmo, a minha vida acabava aí.

Acho que por hoje já filosofei ou disparatei demais e amanhã há que acordar cedo!

Beijinhos e até amanhã *

3 comentários:

  1. Colast mesmo o pistão com a bioética... God... Sinceramente não li o post todo até ao fim... Adormeci quando começast a disparatar ética pa trás e pra frente... Mas concordo com uma coisa... Se nós temos a possibilidade de prevenir enfermidades e infelicidade espiritual, emocional e física pk não usar essas capacidades pa preveni-la? Claro como em tudo há os apologistas do 8 e do 80... Eu cá confio na ciência e por isso digo... Use-se a ciência ao máximo dentro da consciência de cada um... Pois toda a gente diz que não.. Até lhes calhar a eles e precisarem da ciência...

    ResponderEliminar
  2. Olá linda, tudo bem? Gostei muito do teu post, são coisas que definem a realidade dos dias que correm e que são interessantes de serem discutidas.

    Concordo contigo no facto de as pessoas quererem seguir em frente com um feto que apresente uma deficiência, sem dúvida deveríamos colocar em prática a teoria de Darwin, ao seguir para a frente com um feto desses os pais estão a ser egoísta e não estão a pensar no futuro do filho! Pelo menos Portugal não está preparado para receber essas pessoas, infelizmente, a mentalidade portuguesa é triste!

    Discordo contigo quando dizes que somos demasiado ambiciosos, penso que a ambição é um factor fundamental na evolução do ser humano. Caso não fossemos ambiciosos hoje não haveria computadores e morríamos todos leprosos! Agora morremos por outras coisas mas o problema dessas outras doenças surgirem não é da evolução da ciência mas sim da evolução do meio ambiente, que de certo modo somos responsáveis por isso.

    Contradizes-te quando dizes que devemos ter 20 filhos mas que não fomos feitos para casar e estar junto com alguém 50 anos, nos dias de hoje é impossível ter filhos sem ter um agregado familiar no qual pelo menos dois adultos trabalhem para ganhar dinheiro e para criar os filhos.

    Eu compreendo-te amiga e de certo modo concordo contigo mas temos que analisar as coisas pelo universo em que vivemos. Não é ético deixar as pessoas acamadas a contar os seus últimos dias, sou a favor da eutanásia,mas também o doente tem que ter o poder de escolha!

    A vida é mesmo assim, dura, mas com isso vamos crescendo e evoluindo!

    Beijo e mais uma vez parabéns pelo post.

    ResponderEliminar
  3. Espíritos questionadores e críticos fazem avançar o mundo. Também sou apologista de que o ser humano deve poder dispôr livremente do seu corpo enquanto propriedade primordial. Em fetos que apresentem deformidades ainda depois do período legal deveria ser possível a interrupção. Imagino a angústia dos pais a saberem de antemão que vão ter uma vida ainda mais condicionada. E mesmo aquando do nascimento, se for detectada alguma anomalia grave, também considero que deveria ser possível os pais poderem optar pela criança. Sou pro-eutanásia. Pessoas que estejam conscientes da sua condição de "empecilho" deviam poder optar..Um dos meus medos é "envelhecer mal", cheio de maleitas e acamado.. Uma enfermeira jeitosa resolveria muito bem o problema =). Sou pró-estaminais.

    Também acho que a natureza seleccionou naturalmente os seres vivos. Quanto às relações duradouras, talvez para voltares a acreditar, sugiro-te o compromisso dos Albatrozes =). Sounds as funny as interesting. Não é contra-natura.

    Sem mais de momento e com um bisou grande ^^

    ResponderEliminar